13/5/2009 - Perdemos o mais antigo dos soldados PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Qui, 14 de Maio de 2009 22:17

 

Marechal Waldemar Levy Cardoso

04 dez 1900 – 13 mai 2009


Detentor do Bastão de Comando da Força Expedicionária Brasileira

Decano da Ordem dos Velhos Artilheiros

Sócio Honorário - Instituto de Geografia e História Militar do Brasil

 Israel Blajberg (*)

A vida do já saudoso Marechal LEVY foi marcada pela luta incessante em prol dos ideais libertários e democráticos.

Desde 1921 quando saiu da Escola Militar, passando pelas glorias alcançadas na FEB, até idade tão avançada manteve elevada vibração, ardor e patriotismo, ele que foi o Detentor do Bastão de Comando da Força Expedicionária Brasileira, combatendo na Itália para que a Humanidade pudesse viver em paz.

Justamente quando ingressa no Mundo Vindouro, os dias que correm revestem-se de profundo simbolismo, ligado a sua historia de luta pela Liberdade, através de 2 efemérides marcantes:

13 de maio foi quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, registrando o ainda o calendário judaico o 34º. dia do período de 7 semanas em que os hebreus deixaram a escravidão do Egito, recordando a jornada do Povo de Israel, o Êxodo para o Sinai, onde Moises recebeu as Tabuas da Lei.

Marechal Levy participou dos principais movimentos revolucionários nacionais, desde a revolta de 24, passando por 1930, a Intentona Comunista de 35, até 1964.

Na Itália comandou o Primeiro Grupo de Obuses da Força Expedicionária Brasileira, participando da Tomada de Monte Castelo.

Já na reserva presidiu a Petrobrás em 1969. Como Veterano mais antigo e de maior precedência, foi Detentor do Bastão de Comando da FEB, e ainda Decano da Ordem dos Velhos Artilheiros, que congrega os integrantes da Arma de Mallet.

Era uma tradição o comparecimento do Marechal ao Forte de Copacabana no Dia de Santa Bárbara, que coincide com a reunião da Ordem dos Velhos Artilheiros, da qual era o Decano.

Almoço Festivo, tantas vezes reuniu Artilheiros da Ativa e da Reserva em torno do carismático e sereno Marechal, que residia nas proximidades, na Rua Toneleros. Sua presença conferia um clima todo especial ao evento.

No Cassino dos Oficiais, o Marechal Levy recebia o Bastão de Comando da FEB, como mais antigo ex-combatente, e da janela comandava uma Salva Festiva. Pensativo, contemplando os obuseiros em posição, certamente recordava antigas manobras, quando comandava a Ordem de Fogo para as suas Baterias.

Depois do “Parabéns” o Marechal apagava as velas e agradecia sempre emocionado mas com voz clara e forte, encerrando-se a festa com a Canção da Artilharia.

Carioca da Rua Evaristo da Veiga no centro do Rio de Janeiro, seu pai era filho de portugueses e sua mãe a jovem professora Stella Levy, descendente de judeus do Norte da África.

Dizia haver Santa Bárbara salvo a sua vida na guerra. A Santa é a padroeira da artilharia, e seu dia é celebrado em 4 de dezembro, mesmo dia do aniversário do marechal.

Com Da. Maria da Glória, falecida em 2006 teve 3 filhos que lhes deram 11 netos e 15 bisnetos, Miriam, casada com o General Antônio Joaquim Soares Moreira, também da Arma de Artilharia, Cláudio e Roberto, este já falecido.

Que a memória da sua rica existência sirva de exemplo e guia para as futuras gerações.

Nascido no dia da Santa, falecido no Dia da Abolição, durante as 7 semanas de jornada de um povo liberto, que a sua alma faça parte da corrente da vida eterna.

Última atualização em Qui, 14 de Maio de 2009 22:26
 
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